Letter from Olivier (# 5 – Final Opening Act)
«Karl – A minha mãe não pode saber que passei a noite fora de casa.
Olivier – Oh, mas passaste comigo. Dormimos juntos. Além disso a tua mãe gosta de mim. Não se importaria.
(As pessoas passam pela rua. De perto, um portão pintado de azul. Vêem-se vultos vindos de um qualquer concerto, de uma qualquer banda, a uma qualquer hora. É de noite. Está um ambiente gélido. E, no entanto, a temperatura até está amena. Um beijo é dado em público. Corpos olham.)
Karl – Não faças isso!
Olivier – Mas porquê, amor?
Karl – Porque é que me chamas de amor? Eu trato-te por Olivier, certo?
Olivier – Porque te amo. Além disso também te chamo de Karl, quando bem me apetece. Não te posso tratar de amor quando eu quiser também?
Karl – Não.
(Uma espera.)
Olivier – Queres ir ver um filme comigo ao cinema hoje?
(Um outro vulto. Uma mulher, desta vez.)
Vulto – Então Karl, que vais ver? Vídeos connosco ou um filme… com ele?!
(Outra espera. Um olhar mútuo.)
Karl – Vídeos.
(Uma tristeza imensa. Um outro olhar mútuo.)
Olivier – A conversa fica por aqui. Para sempre?
Karl – Não. Apenas por hoje.
Olivier – Não. Eu quero para sempre.
(Olivier afasta-se enquanto chora. Dois vultos riem-se ao longe. Dois outros declaram o seu amor. Dois vultos são felizes. Karl chora. Afinal, amavam-se.)»
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Tenho saudades de muitas coisas. Nem sempre as mato e elas aqui ficam a remoer, e remoer, e remoer… Até ao dia em que tudo acaba e as saudades morrem, pois já nada existe para chorar.

Bom, bom. Muito bom.
*clap* *clap*