This white wall.

•February 21, 2008 • 2 Comments

Oh, as intempéries de uma parede calva! Oh, aqueles que a sobrepõem de postais inúteis na tentativa de esconder a natureza fria da parede. Oh, o suor de anos a planear a metodologia da estética construtiva. Oh, a fita cola. Oh, o esforço. Oh a tesoura. Zás, trás, clash! Mais um pedaço de fita cortado, mais um postal colado. Oh, a alusão a dias felizes. Oh, a criação da individualidade em mistura com a cultura dos pobres coitados. Oh, os cantos são ressalvados com direito a uso de pastilha elástica do LIDL.

Oh, a parede está íntima. Oh, a parede está presente  na metamorfose dos meus sonhos. Oh, pobre infeliz, como a parede está bela!

Estúpido. Uma parede branca será sempre branca, por mais postais que a cubram.

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You’re all I need.

You’re the only thing I need.

You’re everything I need.

And maybe a little faith would do me good…

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1, 2, 3… Corta!

•February 20, 2008 • 3 Comments

1. - Mentira

2. - Traição

3. - Egoísmo

Os três maiores defeitos do ser humano. Todos nós os temos, pelo menos a um. O mentiroso nunca admitirá a traição e sentirá tantos remorsos que será demasiado altruísta para os demais (mesmo contra a sua própria vontade). O traidor mente com todos os dentes que tem sobre a sua relação exterior, vivendo num mundo à parte sem remorsos de ser o centro do mundo. O egoísta é mentiroso quanto ao que sente e trai-se a si mesmo. Todos nós somos um destes tipos de seres humanos, por mais que queiramos evitar.

Eu sou egoísta! Toda a minha vida tenho mentido relativamente ao que sou; ao que sinto. Traí-me a mim mesmo ao acreditar no impensável e, pior que tudo, ao concretizar aquilo que sabia ser uma fantasia. Hoje tenho a certeza (tal como antes já declarava) que voltarei a cometer o mesmo erro. Busco por um sentimento de vazio que preencha o buraco negro que me rodeia.

Volto a repetir em voz alta: Sou egoísta. Acima de tudo tenho orgulho nisso! Nunca magoei ninguém. (às vezes pergunto-me se ainda serei alguém…)

E tu, qual és?

Por um momento quis a Lua.

•February 19, 2008 • 1 Comment

 

Pôr-do-Sol - Loulé, Algarve

 

Por um momento sonhei com a Lua enquanto esta brilhava bem alto no seu canto solitário. Sonhei com o dia em que tão docemente a tocaria. Pisar, praguejar, gracejar, dançar, pintar, tocar, ouvir, degostar. Quis tudo isso e muito mais da Lua.

Por um momento sonhei que ela me sorria do seu trono espadaúdo. Disse a mim próprio que, um dia, lhe retribuiria um sorriso tímido por mais breve e sincero que fosse. Nunca o fiz!

Por um momento quis que ela descesse do seu pedestal inerte e divino e me abraçasse. Desejei sentir o conforto da sua gravidade a acariciar-me os cabelos enquanto suspirávamos palavras de eterna doçura. Criei fantasias em que prometíamos as mais belas histórias de amor eterno; em que nos prometíamos mutuamente. Suspirei pela conquista de mais um pedaço do céu. Almejei eu também ser feliz na minha, porventura, ingénua ilusão.

 

 

Por um momento quis a Lua. Hoje quero o Sol.

Bolha de sabão.

•February 18, 2008 • 1 Comment

(Bolha de sabão - Baixa) 

 

Dei por mim a pensar: e se o mundo fosse, na realidade uma bolha de sabão e, tal como ela, estivesse prestes a rebentar perante a sua fragilidade ignóbil? E se tudo aquilo que concebemos durante séculos de um existencialismo precoce, fosse destruido com um simples tocar de um dedo exterior? E se tudo aquilo em que acreditamos não passa de uma concepção ridícula de algo inalcançável?

O mundo, enquanto concepção universal, poderá nunca ser uma bolha. No entanto, tenho perfeita noção de que o ‘meu’ mundo é uma bolha e eu sou o seu sabão. Resta saber quem me soprou.

 

 

(ouço a chuva a cair e o marasmo intelectual escorre por entre ruelas pútridas e bafias, dando lugar a uma lavada imagem de um cérebro cansado.)

How harder is it to be your slave?

•February 13, 2008 • 3 Comments

Ora estou aqui. Ora estou ali. Ora estou acolá.

Ora sinto isto. Ora sinto aquilo. Ora não sinto nada. Ora sinto tudo.

Ora sou feliz. Ora desconheço tal subterfúgio da humanidade.

Ora existo. Ora não nasci.

Ora estou aqui. Ora… olha! Desapareci.

Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas’

Ode a tudo isto (e mais alguma coisa).

•February 11, 2008 • 3 Comments

 

São exactamente 00.30 do dia 11 de Fevereiro de 2008. Escrevo estas linhas, erróneas possivelmente, para que a posteridade saiba da minha ode às felicitações. Poderia começar com um simples apanágio ao amor, ou, talvez, à felicidade que uma data tão importante como esta acarreta. Especial, seria mesmo, se eu conseguisse conciliar as duas coisas.

Não, não pretendo retratar isso. A felicidade não tem sido, propriamente, grande companheira do amor na minha vida. Prefiro antes fazer uma ode silenciosa ao amor inexistente. Calar-me-ei por momentos enquanto recordo tudo aquilo que tive, tudo o que algum dia quis ter e, acima de tudo, todas as coisas (materiais ou não) que nunca terei!

   (silêncio; conta até três e depois chora!)

A realidade discrepante que dilacerou as feridas que, porventura, já existiriam numa relação por si só infértil, dizem-me que não deveria festejar. E, na realidade, não tenho motivos para tal. No entanto, a ideia de deixar para trás uma garrafa de vinho (carrascão como dirias) e de poder brindar contra o candeeiro de luz apagada, parece-me demasiado insensata. Sim, fá-lo-ei!

Abro a garrafa. Cheiro o vinho. Brinda Marlon, brinda! Só assim serás feliz: esquecendo um passado que ainda permanece nos meandros da tua consciência. Com um raio! Basta beber o primeiro gole e tudo passará. (Vês como tinha razão?)

Parabéns ao amor mútuo que já não existe. Parabéns a mim, que sou o único que (ainda) festeja.

Vinho tinto, por favor.

•February 10, 2008 • 2 Comments

Estás no canto do olho. És na realidade como aquele ponto do nosso próprio globo ocular que quanto mais tentamos seguir mais ele se afasta deformando a sua figura. E, por vezes, quando nos esquecemos do que andávamos a fazer, ele reaparece no centro com a sua forma tão perfeita que antes perseguimos. Esquecemo-nos do que fazíamos antes, mas nem por isso a vontade de voltar a executar o mesmo muda.

Encontro-me um pouco farto de dizer sempre o mesmo. De proferir e repetir as mesmas palavras até atingir o cúmulo de uma parvoíce que sempre julguei inalcançável. Irrita-me estar nesta amargura presenteada com saudade. Sento-me à mesa, bebo o meu vinho, ouço a minha música, pego no pedaço de papel mais próximo e na caneta já roída por momentos de uma paragem cerebral constante que me sufoca literariamente e escrevo. Escrevo não aquilo que sinto agora, mas antes aquilo que me tem remoído anteriormente.

São 4 da manhã. A alegria do vinho já se foi há muito. Neste preciso momento da madrugada só me resta a garrafa vazia que deambula a meus pés, numa vontade de dançar na memória intrincada daquilo que já tive, outrora, submisso. Ouço música deprimente. Desta vez não me consigo rir inexoravelmente porque o tormento de me recordar de ti, uma outra vez, apoderou-se da minha pessoa. Sinto-me nesciamente ridículo no meio desta ataraxia constante. Vou-me deitar.

Adeus. (Pena que só nos tenhamos despedido com palavras.)

Papel Celofane.

•February 8, 2008 • 4 Comments

Com que então sou muito novo para viver?

Sinceramente, a metástase das palavras magoa-me. Pretendo ver o reverso das frases impressas em papel celofane. À cabeça recorrem-me ideias de possessão plastificada, injustificadas pela transparência natural da metamorfose a que assisto. O sentimento angustiante da maleabilidade com que os devaneios se deformam à velocidade da cisão do átomo é puramente aflitivo, por si só.

Sou sincero, em tempos sonhava. Sonhava e prometia, claro! No tempo em que as palavras ainda tinham significado, ser-se pobre com uma simples cabana nada mais era que o chamariz para o meu sonho inabalável. Cobiçava sempre mais do que aquilo que o Mundo me podia oferecer e no entanto, apesar de tormentosamente ter o desplante de ser feliz, pretendia passar a fachada melancólica com que tantos se regozijavam. Riam-se eles, fechava eu os ouvidos e os meus olhos desembrulhavam o celofane.

Não, não sou muito novo para viver. Sou, na realidade, muito velho para morrer! A idade já não faz sentido pois o tempo deixou de meditar nas rugas que se sulcavam naquelas folhas lucidamente vidradas. Estou, portanto, a um passo de nascer e a dois de desaparecer. Resta acreditar que serei capaz de me decidir.

Deal with the devil.

•February 6, 2008 • 2 Comments

It doesn’t hurt me.
You wanna feel
How it feels to me,
Don’t you?

Would you dare to join me?
After all, you want to hear
About the deal I’m making.

And if I could only
Make a deal with the devil,
Unaware that I’d
Torn you apart.
Wouldn’t you want
To be running up that hill,
To be dreaming that sketch,
To be living that life?

It’s hard
To see you again
Unconscious that I wished
To swap places with you.

(you don’t want to hurt me,
but let’s see how deep the bullet lies)

C’mon you fool,
(lovefool actually)
You want me.
I want you.
If that’s enough,
Why can’t we be happy?
Why do I have to make
This deal with the devil?

Incondicional.

•February 5, 2008 • No Comments

 

Vamos falar e encheremos o ar. E as árvores viverão para sempre…

Então isto é o amor (sem dúvida é um pensamento amoroso). E se cais, levantas-te. Se estás preso num sonho, basta acordares. Se tens frio aqueces-te. Se estás distante da costa apenas tens que nadar.

(‘És o meu anjo no meu mundinho agreste’, disseste-me tu um dia.)

Era incondicional (‘era…’). Hoje já nada é. As palavras gastaram-se, as frases foram-se e os olhares, esses, já não se deleitam um perante o outro. Queria ter-te mais um dia, abraçar-te mais uma vez, beijar-te para sempre.

Ainda te amo, ainda te quero.

(O resto? Bem, o resto é esperar para ver.)

Do teu outrora, não agora (e muito menos para sempre!), Marlon.